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Estou eu sentado em frente ao computador, checando e-mails. “Legal, show do Yessongs dia 11/03/01”. Já tinha ouvido falar da banda. De fato, um amigo me dissera que a banda tocava muito bem, que a fidelidade às versões originais era grande, etc... Além disso, os comentários na lista de discussão do SAK evidenciavam que a qualidade musical da minha noite estava garantida. Por certo eu não sairia do Woodstock frustrado. Aproveitei até para convidar uma amiga que eu conhecia há dois anos apenas pelo ICQ. Como somos ambos vidrados em progressivo, principalmente Rush e Yes, seria a ocasião perfeita para nos encontrar.

Cheguei ao Woodstock, encontrei minha amiga e logo conseguimos uma mesa. Começamos a falar de nossas expectativas em relação ao show. O Aru Jr. e o Tatini afinavam seus instrumentos. Minha expectativa crescia. Até que as luzes se apagaram e comecei a ouvir Firebird Suite. Os músicos adentraram o palco, naquele clima de Keys to Ascension... Fiquei olhando pras mãos do Aru, esperando que ele começasse com os acordes de Siberian Kahtru. Qual não foi a minha surpresa quando pude vê-lo pegando o slide. Era Going for the One... A medida que a música foi prosseguindo, fui fechando os olhos e me deixando levar… Quando chegou ao fim, involuntariamente fiquei esperando aquele chiadinho que a gente ouve entre as faixas no vinil. Não teve chiadinho... então me dei conta de que aquilo tava acontecendo mesmo...

A partir de então, foi um estado de comoção permanente. Cada música foi tocada de modo a transmitir inequivocamente a emoção contida nas versões originais. Mais ainda, foi um momento de conjunção de emoção e técnica. Afinal, os teclados eram perfeitos. Se eu não olhasse bem, podia jurar que o Wakeman é quem tava tocando (ou o Moraz, durante o Gates of Delirium).  O baixo do Tatini era uma mistura soberba de pegada e elaboração melódica, exatamente como o Cris Squire faz maravilhosamente. A precisão e coesão rítmica mostrada pelo Fred Barley na bateria me impressionaram muito mesmo... A interpretação do Aru Jr. para as partes do Howe me fizeram viajar... simplesmente perfeitas. E a voz do Roger... o que dizer? Pra ter uma idéia, ouça qualquer coisa do Yes ao vivo, vá ao show do Yessongs, feche os olhos e tente descobrir se você está da cadeira do bar ou na sala da sua casa, ainda em frente ao som...

E, durante o show do Yessongs, não se surpreenda se você se pegar, em êxtase, batendo palmas durante The Preacher and the Teacher , querendo pular da cadeira durante The Gates of Delirium (com a contribuição dos gritos da platéia durante a parte caótica do meio da música) ou Astral Traveller. Até mesmo chorando no fim de Turn of the Century (uma das coisas mais impressionantes que eu vi uma banda fazer na minha frente...)...

O fim do show, precipitado pelo problema no pulso do Aru Jr., deixou uma enorme expectativa para o próximo. Foi difícil me concentrar no trabalho na segunda-feira e esquecer do que tinha visto no dia anterior...

Saímos do Woodstock, eu e minha amiga, absolutamente extasiados pelo que tínhamos visto. Tanto que nem conversamos muito, e nem queríamos, tão absorvidos que estávamos pela magia do que acontecia a nossa frente.

Parabéns ao Yessongs, e obrigado pelos momentos de absoluta felicidade que me proporcionaram. Até o próximo...